19 de set de 2011

Mata Cerrada.

O Lago do Galope.



Parte 1

Todo o trabalho e preparação já lhes consumira algo em torno de um mês. Afinal, momentos solenes devem ser, minuciosamente, programados e revistos para não haver falhas. Fato é que, os irmãos Tico e Teco, e Toim, irmão de criação, nem no casamento de Tamirão, antigo parceiro, efetuaram, com tamanha perspicácia, um planejamento. Aliás, Tamirão os abandonara por não gostar do leve toque de desmazelo que insistiam em empregar em tudo quanto faziam. E o faziam com uma maestria e um prazer únicos.
Águas passadas. Esse momento destoava. Haviam sido metódicos. Pescaria é coisa séria afinal. Destino, Lago do Galope. Aliás, local de uma abundância invejável de peixes. Até porque, ninguém pescava lá. E, não o faziam por dois motivos claros. Um. Os peixes estavam contaminados com mercúrio. Fruto da antiga mineração de ouro na região. Dois. Anos atrás, um incidente com três ou quatro garotos que sumiram. No local ficaram, somente, quatro varas de pescar e três bancos. O que, logicamente, desencadeou uma série de questionamentos e histórias. Não havia testemunhas. A conclusão de se tratarem de crianças, por sinal, veio da descoberta de três pares de sandálias e quatro bonés. O episódio ficou conhecido como o sumiço de três ou quatro garotos. Nunca foram encontrados.
Voltando ao Lago do Galope, que logo receberia esse nome. Os resultados das buscas foram peculiarmente interessantes. Os primeiros relatos foram que se ouviram cavalos a galope. Depois, fora visto, no início da noite, índios correndo, que acreditavam ser Xexens. Esses, aliás, foram um grupo de índios que viveram e, provavelmente ainda vivem, num local muito fértil, dentro da mente do povo de Mata Cerrada. Povo conhecido por sua bravura. Grandes histórias surgiram de lá. Segundo os relatos locais, antes dos Bandeirantes já haviam desbravado boa parte do país e se alocaram ali. Modestos que são, nunca reivindicaram o registro histórico do feito. Por fim, os relatos continuaram sobre o sumiço, um alegou ter visto uma mula correndo sem cabeça. O outro salientou que, dias antes, atracara com o animal e fora ele mesmo a arrancar-lhe a cabeça, mas que outro animal passou correndo e tomou-lhe o troféu. Com tantos relatos, resolveram nomear o lago homenageando os cavalos do primeiro relato. Lago do Galope.
Ocorre que, os garotos daquela época não tinham o costume de acompanhar inquéritos policiais. Como ninguém se atinou para isso. Os garotos continuavam suas brincadeiras, displicentes. Os homens de Mata Cerrada e a polícia empenhavam seus esforços. O inquérito seguia.
Anos mais tarde, agora homens, displicentes. Tico, Teco e Toim retornavam ao cenário de um dos maiores acontecimentos da história de Mata Cerrada. Estavam prontos para o grande momento. Contudo, algo lhes faltava. Três homens, três varas e quatro bancos.

2 comentários:

marcia disse...

mt boom... :)

Leticia disse...

baaum' demais kk

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